Saturday, April 07, 2007

Parte 2

Ato I - A carta
Eu não posso te pedir desculpas, pois, admito, a culpa é toda minha. Eu gostaria de te dizer que não foi minha intenção te machucar, e então pedir perdão. Mas não posso fazê-lo, seria hipocrisia, afinal foi sim minha intenção. Não só te machucar como machucar a mim também. Culpa do meu inevitável gosto para a tragédia inevitável, presente desde o começo. Culpa minha!
Ato II - A visita
Ela tocou a campainha, ele abriu a porta com uma grande cara de bunda. Ela pretendia apenas dizer "Você é louco. Por favor, vá se tratar." Em alguns minutos ela teria mais vontade de dizê-lo ainda.
— Eu estou feliz por você ter vindo aqui. Essa minha cara é só porque eu tô meio embasbacado por você ter vindo depois do que eu te fiz. Na verdade eu estou feliz exatamente porque você veio depois de tudo o que eu te fiz. Na verdade eu acho que era só uma forma de provar a mim mesmo uma coisa que eu já sabia, que você gosta de mim pra caralho. Você deveria ir embora… quero dizer, eu não estou te expulsando, posso te oferecer um copo d'água ou um copo de coca-cola se você quiser, não quero ser mal educado ou mau anfitrião, mas o fato é que você não deveria ser uma boa visita, isto só serve para alimentar meu ego. E olha só que merda, revelar todo esse meu egocentrismo serve pra te fazer sentir piedade… não que piedade infle algum ego, pelo contrário… mas neste caso é a prova de que realmente eu estou louco, que eu ultrapassei todos os limites da sanidade. E a loucura sempre se orgulha de si mesma, de sua vitória sobre a razão. Sabe, eu acho realmente que você deveria me destratar. Não que isso fosse me ajudar, me destratando ou não você estaria provando que gosta de mim. Mas me destratando, pelo menos você fica de fora desta loucura toda. Ah… e essa minha preocupação com você só vai fazer com que goste mais ainda de mim…
E ela lhe virou um tapa, um tapa forte, alimentado por toda a sua confusão, que acabou soando menos como ofensa e mais como agressão. Virou-se e foi aos prantos e a passos largos. Ele ainda falou, bem alto, pois ela se afastava rapidamente:
— Te ver chorando me corta o coração, mas para o seu bem não vou aí te consolar. Seja lá o que for que eu faça, eu estarei demonstrando preocupação. E essa capacidade de me por em ciladas sem saída só me enche de orgulho.

6 Comments:

Anonymous Anonymous said...

curti(mania d usar essa palavra)

7:45 AM  
Blogger Allan said...

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7:54 PM  
Blogger Allan said...

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8:51 PM  
Blogger Allan said...

Poxa!
Muito bom.
Apenas gostaria de saber se é ficção ou realidade.

8:52 PM  
Blogger Harry said...

É ficção… é difícil encontrar pessoas que queiram levar o drama e a poesia para vida real junto com você.

O que me faz lembrar uma passagem d'O Lobo da Estepe que eu não lembro bem como é agora, mas é algo do tipo "o que eu procuro na minha vida os outros procuram no romances".

3:34 PM  
Blogger Fernanda Nunes said...

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6:05 PM  

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